Como a Terapia de Aceitação e Compromisso pode ajudar a recuperar sua energia, sua saúde e sua presença
Sentir-se cansado é normal. Sentir-se exausto o tempo todo, emocionalmente drenado, desmotivado e desconectado do que um dia te fez sentido — isso pode ser Burnout.
Reconhecido pela OMS como um fenômeno ocupacional relacionado ao estresse crônico no trabalho, o Burnout tem se tornado cada vez mais comum. Mas o que está por trás dele? E como podemos tratar esse esgotamento de forma ética, profunda e centrada no que realmente importa?
Na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), o foco não é apenas eliminar sintomas, mas ajudar a pessoa a reconstruir uma vida com presença, valores e ação consciente — mesmo diante do desconforto.
O que é Burnout, afinal?
Burnout não é “frescura”, falta de resiliência ou sinal de fracasso. É um colapso do sistema de enfrentamento causado por uma sobrecarga emocional, mental e, muitas vezes, ética.
Ele envolve três dimensões principais:
- Esgotamento emocional constante
- Ceticismo ou distanciamento das atividades e das pessoas
- Sensação de ineficácia ou inutilidade
Muitas vezes, o Burnout surge em pessoas que se importam demais, mas que perderam a conexão com seus próprios limites, necessidades e valores.
Causas comuns do Burnout
Segundo a ACT, o Burnout não nasce apenas do ambiente externo, mas também da forma como a pessoa se relaciona com o que sente, pensa e faz. Algumas causas frequentes:
- Excesso de autocrítica e padrões rígidos de desempenho (“Nunca é o suficiente”)
- Evitação experiencial: empurrar emoções para debaixo do tapete e seguir no piloto automático
- Desconexão com os próprios valores: trabalhar apenas por obrigação ou medo, sem sentido pessoal
- Fusão cognitiva: acreditar cegamente em pensamentos como “Eu preciso aguentar”, “Se eu parar, tudo desmorona”
- Falta de presença: viver cronicamente no futuro (prazo, cobrança) ou no passado (culpa, arrependimento)
Como a ACT pode ajudar no tratamento do Burnout?
Aceitação: parar de lutar contra o que já está presente
Muitas pessoas com Burnout estão lutando para “dar conta”, “aguentar mais um pouco”, “só passar dessa semana”…
A ACT convida à pausa consciente: reconhecer os sinais do corpo e da mente sem julgar.
“Isso está difícil. E eu posso parar de fingir que está tudo bem.”
Defusão: desacreditar da mente autocrítica
“Eu não presto.”
“Eu não consigo mais.”
“Eu estou fracassando.”
Esses pensamentos, quando levados ao pé da letra, nos mantêm presos no ciclo de esgotamento. A ACT ensina o paciente a observar os pensamentos sem se fundir a eles.
“Estou tendo o pensamento de que sou um fracasso. Mas isso é só um pensamento, não uma verdade.”
Contato com o momento presente
Burnout é estar sempre em guerra com o tempo. O presente vira um campo de batalha.
A ACT resgata a presença com práticas simples, como respiração consciente, grounding e observação dos sentidos.
Estar no agora não é perder tempo. É recuperar a vida.
Self como contexto: lembrar que você é mais do que o que sente
Você sente esgotamento, mas você não é o esgotamento.
Você observa a exaustão — e esse lugar de observador é mais amplo e estável do que a dor momentânea.
Essa separação abre espaço para escolhas mais conscientes.
Valores: reconectar com o que realmente importa
Muitas vezes, o Burnout acontece quando a pessoa esquece o porquê começou.
A ACT ajuda a identificar valores centrais: autenticidade, conexão, contribuição, equilíbrio, cuidado — e a reorganizar a vida ao redor deles.
Conclusão
Burnout é uma resposta legítima a um desequilíbrio prolongado entre o que você sente, o que você suporta e o que você consegue expressar.
A Terapia de Aceitação e Compromisso não traz promessas milagrosas — ela oferece um caminho de reconexão com a presença, com a verdade interna e com a possibilidade de agir com mais liberdade e sentido, mesmo quando o corpo e a mente estão cansados.
Se você está nesse lugar, saiba que há um caminho possível. E ele começa com um passo: olhar para si, com compaixão e compromisso.


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